sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Moda

Os métodos em que se baseia são abstratos e multifacetados. Compreender nem sempre é possível e a amplitude de possibilidades é realmente impressionante.
Fazer a escolha certa é um constante desafio, e saber conciliar o desejo do consumidor com um estilo próprio do criador também não é tarefa fácil.

Cresce com bastante entusiasmo o mercado de moda no Brasil, mas somente a partir da década de 90 é que definitivamente se criou uma identidade nacional deixando de lado a mania incurável da cópia do importado. Tudo que se via na moda brasileira era uma reprodução das outras grandes capitais mundiais do setor, devido a tradicional mentalidade nacional da auto menosprezação, de tudo que vinha de fora era melhor e mais bonito.
Isso não caiu no esquecimento, nem foi extinto, bem pelo contrário, ao que diz respeito às pesquisas está completamente igual. É nas vitrines de Paris, Londres e Milão que se busca as informações principais, os últimos lançamentos, as cores, as idéias, as novidades, o que está sendo usado lá hoje será adaptado para que usemos aqui, nas próximas estações.
Mas apesar da contínua busca de informação fora do âmbito nacional, muitos artistas passaram a vangloriar as riquezas que tinham em mãos. O Brasil passou a lançar tendências também, e a ser tendência em muitos momentos. Congratulou a própria capacidade de auto-suficiência em questão de matéria prima e tecnologia, desenvolvendo os próprios processos e os próprios materiais.
Hoje não se faz mais uma moda completamente igual à Européia ou Estadunidense. Reformulou-se um conceito que visa se orgulhar das próprias qualidades.
O Brasil tem alguns grandes pólos nacionais na área têxtil e de confecção. Entre eles São Paulo, cujo mercado está bastante saturado, embora nunca perca sua hegemonia, já está vendo seu espaço ameaçado pelos, que crescem aceleradamente em capacitação e avanços tecnológicos. Santa Catarina segue-o igualitária, com grande tecnologia, qualidade, e inovação na área, está atraindo e capacitando grande numero de profissionais, que estão dando à moda catarinense estilo único e diferenciado, colaborando com grandes marcas para a moda no Brasil e no mundo, como a Colcci, Malwee, Lilica Ripilica, e outras que assim com estas, já estão consolidadas no mercado e tem papel fundamental para a identidade da moda brasileira.
Os processos de desenvolvimento de uma coleção são de fácil compreensão. Consiste na pesquisa, detecção do objeto de inspiração e escolha de um tema. Seguindo da elaboração da cartela de cores, das peças, escolha de tecidos e aviamentos ideais, bem como seus fornecedores, fabricação da peça piloto, aprovação, produção das peças, enquanto o departamento de marketing cuida da divulgação, podendo ser montado um desfile, contando com revendedores e pontos de venda, e enfim, o varejo.
É no ultimo ponto deste processo que se confirma ou não o sucesso da escolha, porque tudo vai depender da aceitação do público, que embora bastante premeditado é imprevisível.
De todas as fases, a pesquisa é a mais essencial. É ela que vai identificar os rumos certos a serem tomados pela empresa, quais são as novidades, as tendências, os novos produtos e técnicas disponíveis no mercado e principalmente apontará qual será o desejo do público alvo no momento em que a peça chegará definitivamente è ele.
A moda se baseia ainda num ciclo, que compreende altos e baixos, e por isso chamado de efeito tickle-down. O pico parte das últimas tendências identificadas, e delas nascem as primeiras coleções, dos grandes criadores, cujo preço privatiza o uso apenas para a alta sociedade, composta inclusive por ícones midiáticos que servem como divulgação.
Após o lançamento e a divulgação feita discretamente pelos grandes artistas essas primeiras coleções servem de laboratório para as coleções e criadores secundários, que possuem um preço também elevado, porém acessível à um número um pouco maior de consumidores, identificados como classe B, que tem poder de compra, estão antenados às tendências e gostam de sustentar marcas. Quando atinge este público afeta diretamente a produção em massa, que compreende o período anterior ao desgaste, quando a coleção vigente perde totalmente espaço e já existem as novas nas primeiras fases deste ciclo.
Em resumo, o ciclo da moda é Lançamento > Consenso > Consumo > Massificação > Desgaste.
É importante apontar que o desgaste já é determinado quando a tendência em voga permeia os limites entre o consumo e a massificação, neste momento, as grandes confecções já determinaram suas coleções e levam as tendências “passadas” da alta classe para o público geral. Com adaptações e diminuição drástica dos custos de produção.

Podemos apontar enfim, que a moda não possui uma única definição nem permite tal ousadia. Se constrói de conceitos e idéias totalmente adversas umas das outras, e que por mais que se busque, jamais encontraremos uma identificação exata.
Por depender de gostos, valores e tipos completamente distintos, basta criarmos nossa própria identidade, nos capacitarmos o suficiente e detectarmos qual é a brecha falha no mercado que melhor podemos nos adaptar e suprir suas carências.

Bibliografia

Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832007000200009&lng=pt&nrm=iso. Acesso Out/09.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77011998000200005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt. Acesso Out/09.
FEGHALI, Marta Kasznar e DWYER, Daniela. As Engrenagens da Moda. 1.ed. Editora SENAC: Rio de Janeiro/RJ, 2001.
JONES, Sue Jenkyn. Fashion Design, manual do estilista. 2.ed. Editora: Cosac Naify: São Paulo/SP, 2003.
TREPTOW, Dóris. Inventando Moda, planejamento de coleção. 4.ed. Editora Pallotti : Brusque/SC, 2007.


>>> Trabalhinho entregue ontem, de tão caprichado, eu nem li depois de terminado o texto. Prometo arrumar aqui no blog, mas não agora =D <<<
XoXo!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Eu sinceramente esperava mais...

Alexandre Herchcovich, enquanto palestrante, é um ótimo estilista.
Não podemos chamar aquilo de palestra, porque na verdade, foi mais uma entrevista.
Ele contou exatamente tudo, que eu já sabia. E que qualquer um pode saber, se dispondo a ler a biografia dele no wikipédia.
Já sabia que ele gostava de moda desde criança, que ele ajudava a mãe a se vestir, que ela tinha ensinado ele a costurar, que ele estudou moda na anhembi morumbi, que ele trabalhou anos na Cori e na Zoomp.
Não gostei. Valeu a pena? Sim! Gastei só 4,00 para comprar um livro, cuja doação era o ingresso. Sem contar que as outras duas palestras com o Robi Spatti e com Roberto Kharlekian valeram, sozinhos, mais que esses 4,00 reais bem pagos por um livro.
O Alexandre foi mesquinho e antipatico, e parece ser sempre assim. Era o grande esperado do dia, e não fez jus as espectativas.
Deu um resumo da sua trajetória, confesso, ficaria muito feliz em ser só um pouquinho do que ele é hoje. É criativo, capacitado, bom profissional.
Não compraria roupas dele, não me atrai muito, mas ele tem a incrível capacidade de quando em marca alheia, consiliar a identidade da marca e a essência Herchcovich. É essencial!
Mas ele poderia ser mais simpático. Não dói!
No ano passado, conheci a Tereza Santos e a Doris Treptow, dois nomes ilustres da moda brasileira, e que foram milhões de vezes mais simpáticas, tiraram fotos, conversaram com nós, como quem entende que somos nós que faremos no futuro o trabalho que elas fazem hoje. E essa atenção de um profissional experiente, para quem está dando os primeiros passos na área é de suma importância.
A palestra do Ronaldo Fraga no Dona Fashion DC também foi muito mais legal que a do Alexandre. Talvez a palavra certa seja, mais proveitosa.
Mas, valeu a experiência, e aprender que não vale a pena ser antipático... a admiração diminui.

beijinhos!!